Janeiro 19, 2026
Contratura capsular: o que é, causas, sintomas e como reduzir o risco
A contratura capsular é uma das complicações mais conhecidas após a colocação de implantes mamários. Embora não seja frequente, pode causar desconforto físico, alterações estéticas e preocupação emocional. Por isso, compreender o que é, porque acontece e como pode ser prevenida é essencial para uma decisão informada e para um pós-operatório mais tranquilo.
Neste artigo, explico de forma clara e rigorosa tudo o que precisa de saber sobre a contratura capsular.
O que é a contratura capsular?
Sempre que um implante mamário é colocado, o organismo reage de forma natural. Forma-se à volta da prótese uma camada de tecido fibroso, chamada cápsula, cuja função é isolar e proteger o implante.
No entanto, em alguns casos, essa cápsula torna-se mais espessa, rígida e contraída do que o esperado. Quando isso acontece, começa a apertar o implante. A este fenómeno dá-se o nome de contratura capsular.
Como consequência, a mama pode tornar-se mais dura, perder o aspeto natural e, em fases mais avançadas, provocar dor ou desconforto.
Quais são os graus de contratura capsular?
A contratura capsular é classificada clinicamente segundo a escala de Baker, que ajuda a definir a gravidade e a orientar o tratamento:
Grau I: mama macia, com aspeto natural;
Grau II: mama ligeiramente mais firme, sem alterações visíveis;
Grau III: mama dura, com deformação visível;
Grau IV: mama muito dura, deformada e dolorosa.
Assim, nem todas as contraturas exigem cirurgia. A decisão depende sobretudo dos sintomas, do impacto estético e do desconforto da paciente.
Quão frequente é a contratura capsular?
Segundo dados de sociedades científicas internacionais, como a American Society of Plastic Surgeons e a FDA, a incidência da contratura capsular varia entre 5% e 15% ao longo da vida útil dos implantes mamários.
Além disso, o risco é maior nos primeiros dois a cinco anos após a cirurgia, embora possa surgir mais tarde. Importa salientar que a evolução dos implantes e das técnicas cirúrgicas tem contribuído para uma diminuição progressiva desta complicação.
Quais são as principais causas da contratura capsular?
A contratura capsular é multifatorial, o que significa que não existe uma única causa identificável. Entre os fatores mais associados, destacam-se:
Resposta inflamatória exagerada do organismo;
Contaminação bacteriana mínima, conhecida como biofilme;
Hemorragia ou seroma no pós-operatório;
Tipo, textura e posicionamento do implante;
Localização do implante (submuscular ou subglandular).
Por este motivo, a experiência do cirurgião, a técnica utilizada e o cumprimento rigoroso dos protocolos de segurança são determinantes na prevenção.
Sintomas a que deve estar atenta
Os sinais mais frequentes de contratura capsular incluem:
Sensação de mama dura ou “presa”;
Alteração da forma ou da posição do implante;
Assimetria mamária progressiva;
Dor ou desconforto, sobretudo ao toque.
Sempre que surjam alterações persistentes, a avaliação médica é fundamental para um diagnóstico precoce.
Como reduzir o risco de contratura capsular?
A prevenção começa antes da cirurgia e prolonga-se durante todo o pós-operatório. Este é um ponto-chave.
Antes e durante a cirurgia
Para reduzir o risco de contratura capsular, é essencial:
Iniciar antibiótico antes da cirurgia;
Prolongar o antibiótico no pós-operatório, quando clinicamente indicado;
Utilizar técnicas cirúrgicas rigorosas e ambientes altamente controlados.
Estas medidas reduzem de forma significativa o risco de contaminação bacteriana e inflamação excessiva.
Cuidados no pós-operatório
No pós-operatório, o comportamento da paciente tem um papel decisivo. Assim, siga estes cuidados:
- Faça massagens suaves, se forem recomendadas pelo seu cirurgião;
- Evite esforços físicos nos primeiros dias;
- Mantenha uma alimentação equilibrada e boa hidratação;
- Não fume, pois o tabaco prejudica a cicatrização;
- Realize os curativos e a higiene rigorosamente, conforme indicado.
Além disso, compareça sempre às consultas de seguimento. O acompanhamento regular permite identificar alterações precocemente.
Existe tratamento para a contratura capsular?
Sim. O tratamento depende do grau da contratura e dos sintomas apresentados.
Em casos ligeiros, a vigilância clínica pode ser suficiente.
Nos graus mais avançados, pode ser necessária cirurgia, que pode incluir:
Remoção da cápsula (capsulectomia);
Substituição do implante;
Alteração do plano de colocação do implante.
Cada situação é avaliada de forma individualizada, respeitando as necessidades e expectativas da paciente.
Em conclusão, a contratura capsular é uma complicação conhecida, mas cada vez menos frequente. Com uma abordagem cirúrgica cuidadosa, estratégias preventivas eficazes e um pós-operatório bem cumprido, o risco pode ser substancialmente reduzido.
Se está a considerar uma cirurgia mamária ou se nota alterações após a colocação de implantes, procure sempre aconselhamento especializado. Informação clara, decisões conscientes e acompanhamento médico fazem toda a diferença na segurança, nos resultados e na tranquilidade a longo prazo.
Isabel Bartosch | OM 44766
Conteúdo meramente informativo. Não substitui avaliação clínica personalizada.
Perguntas Frequentes
1. A contratura capsular pode surgir muitos anos depois da cirurgia?
Sim. Embora seja mais comum nos primeiros anos, a contratura capsular pode surgir mais tarde, especialmente se ocorrer inflamação ou infeção tardia.
2. A contratura capsular é perigosa para a saúde?
Na maioria dos casos, não representa um risco grave para a saúde geral. No entanto, pode causar dor, desconforto e alterações estéticas que justificam tratamento.
3. Todas as mulheres com implantes desenvolvem contratura capsular?
Não. A maioria das mulheres nunca desenvolve contratura capsular. Quando ocorre, está associada a fatores específicos do organismo, da cirurgia e do pós-operatório.
4. Massagens evitam sempre a contratura capsular?
As massagens podem ajudar em alguns casos, mas não garantem prevenção total. Devem ser feitas apenas quando recomendadas pelo cirurgião.
5. A contratura capsular pode voltar após cirurgia corretiva?
Sim, existe risco de recorrência. Contudo, técnicas adequadas e cuidados rigorosos reduzem significativamente essa possibilidade.
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