Fevereiro 24, 2026
Ginecomastia: o que é e como é efetuada a cirurgia?
A ginecomastia é uma condição relativamente frequente que se caracteriza pelo aumento do volume mamário no homem. Apesar de ser benigna na maioria dos casos, pode gerar desconforto físico e impacto psicológico significativo.
Muitos homens sentem constrangimento ao usar t-shirts ajustadas, ir à praia ou praticar desporto. Outros evitam procurar ajuda por receio ou desinformação. Este artigo pretende esclarecer, de forma clara e baseada na evidência científica, o que é a ginecomastia, quais as suas causas, quando está indicada a cirurgia e quais os riscos e benefícios do tratamento.
O que é a ginecomastia?
A ginecomastia corresponde ao aumento benigno da glândula mamária masculina. Não se trata apenas de gordura acumulada, mas sim de proliferação do tecido glandular.
É importante distinguir:
Ginecomastia verdadeira – aumento da glândula mamária.
Pseudoginecomastia – aumento mamário por excesso de gordura, comum em casos de excesso de peso.
A prevalência varia consoante a idade. Alguns estudo publicados indicam que:
Pode ocorrer em até 60–70% dos adolescentes, sendo geralmente transitória.
Afeta cerca de 30–40% dos homens adultos, com maior incidência após os 50 anos.
Na maioria dos adolescentes, regride espontaneamente em 1 a 2 anos. Já no adulto, tende a ser persistente.
Quais são as causas da ginecomastia?
A ginecomastia resulta de um desequilíbrio hormonal entre estrogénios (hormonas femininas) e androgénios (hormonas masculinas), particularmente a testosterona.
Principais causas:
1. Fisiológicas
Recém-nascidos (influência hormonal materna)
Adolescência
Envelhecimento
2. Medicamentos
Alguns fármacos podem estar associados:
Antiandrogénios
Esteroides anabolizantes
Certos antidepressivos
Espironolactona
Alguns tratamentos para úlcera gástrica/duodenal
3. Doenças associadas
Doença hepática crónica
Insuficiência renal
Hipertiroidismo
Tumores testiculares (raros)
4. Uso de substâncias
Álcool
Cannabis
Anabolizantes
Sempre que existe aumento mamário recente, dor, crescimento rápido ou assimetria marcada, é fundamental realizar avaliação médica para excluir causas secundárias.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é essencialmente clínico, através de observação e palpação. A glândula mamária apresenta-se como uma estrutura firme sob a aréola.
Em determinados casos, pode ser necessário:
Ecografia mamária
Determinação analítica de algumas hormonas
Mamografia (se houver dúvida diagnóstica)
De acordo com recomendações de sociedades como a American Society of Plastic Surgeons (ASPS), a investigação deve ser individualizada, sobretudo quando há suspeita de causa patológica.
Quando está indicada a cirurgia?
A cirurgia está indicada quando:
A ginecomastia persiste por mais de 12 meses
Existe desconforto estético significativo
Há impacto psicológico relevante
O tratamento médico não é eficaz (quando aplicável)
O volume mamário é estável
É importante que o paciente tenha expectativas realistas e compreenda os limites do procedimento.
Como é efetuada a cirurgia da ginecomastia?
A cirurgia tem como objetivo remover o excesso de tecido glandular e, se necessário, gordura associada.
Técnicas mais utilizadas
1. Lipoaspiração
Indicada quando predomina o componente adiposo.
Pequenas incisões (geralmente 3–4 mm)
Remodelação do contorno torácico
Recuperação relativamente rápida
2. Excisão glandular
Quando existe componente glandular significativo.
Incisão discreta na margem inferior da aréola
Remoção direta da glândula
3. Técnica combinada
A mais frequente.
Lipoaspiração + excisão glandular
Permite um resultado mais harmonioso
Em casos de excesso cutâneo significativo (menos frequente), pode ser necessária remoção de pele.
A cirurgia é geralmente realizada sob anestesia geral ou sedação profunda, em regime ambulatório.
Como é o pós-operatório?
O pós-operatório é, regra geral, bem tolerado.
Recomendações habituais:
Uso de cinta compressiva durante 3–6 semanas
Evitar exercício físico intenso nas primeiras 4 semanas
Dormir em posição dorsal nas primeiras semanas
Cumprir medicação prescrita
O edema e equimoses são esperados nas primeiras semanas. O resultado final tende a ser avaliado entre 3 a 6 meses, quando o “inchaço” residual desaparece.
Quais são os benefícios da cirurgia?
Os benefícios são sobretudo:
Melhoria do contorno torácico
Maior conforto ao vestir roupa ajustada
Redução do constrangimento social
Melhoria da autoestima
Estudos observacionais indicam melhoria significativa na qualidade de vida após cirurgia, especialmente em pacientes com impacto psicológico prévio.
Quais são os riscos e possíveis complicações?
Como qualquer procedimento cirúrgico, não é isento de riscos.
Possíveis complicações:
Hematoma
Seroma
Infeção
Alterações temporárias da sensibilidade
Irregularidades do contorno
Assimetria residual
Cicatriz inestética (raro)
A taxa de complicações é geralmente baixa quando realizada por cirurgião plástico qualificado e em ambiente adequado.
Obviamente, não existe nenhum procedimento “100% seguro”. A avaliação individual de riscos e benefícios é fundamental.
A ginecomastia pode voltar a surgir?
A recidiva é rara quando a causa é puramente glandular e o tecido é removido adequadamente.
No entanto, pode ocorrer se:
Persistir a causa hormonal
Houver uso continuado de anabolizantes
Existir ganho de peso significativo
Em conclusão, a ginecomastia é uma condição comum e tratável. Embora seja benigna na maioria dos casos, pode ter impacto significativo na autoestima e qualidade de vida.
A decisão de realizar cirurgia deve ser ponderada, baseada numa avaliação clínica detalhada e numa discussão franca sobre expetativas, riscos e benefícios.
Cada caso é único. Uma consulta individualizada permite:
Confirmar o diagnóstico
Excluir causas secundárias
Definir a melhor técnica
Esclarecer dúvidas de forma personalizada
Se tem questões sobre ginecomastia ou considera tratamento cirúrgico, a avaliação por cirurgião plástico experiente é o primeiro passo para uma decisão informada e segura.
Perguntas Frequentes
1. A ginecomastia é perigosa?
Na maioria dos casos, não. É uma condição benigna. Contudo, deve ser avaliada para excluir causas secundárias.
2. A cirurgia deixa cicatrizes visíveis?
As incisões são habitualmente discretas e colocadas na margem da aréola. Em muitos casos tornam-se pouco perceptíveis com o tempo.
3. O resultado é definitivo?
Quando a causa está resolvida e o peso é mantido estável, os resultados tendem a ser duradouros.
4. A cirurgia é dolorosa?
O desconforto é geralmente moderado e controlado com medicação analgésica simples.
5. Quanto tempo até voltar ao trabalho?
Depende da atividade profissional. Em trabalhos de escritório, muitos pacientes regressam em cerca de 5–7 dias. Atividades físicas exigentes requerem mais tempo.
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